terça-feira, 7 de dezembro de 2010

A renda fixa do amor - introdução

Já ouviu falar da renda fixa do amor? Eu também não. Na verdade, é um conceito que os infames escribas deste humilde Blog inventaram para traduzir uma ideia que trafega entre os universos paralelos dos relacionamentos, dos sentimentos obscuros do homo sapiens sapiens e da econometria financeira aplicada.

A renda fixa do amor, pode-se dizer com quase total segurança - a margem de erro é de 2%, para mais ou para menos - que é fruto de uma visão dos relacionamentos amorosos contaminada com conceitos econômicos, contábeis, e - porque não? - jurídicos (sempre deve-se levar em consideração o risco da separação e suas consequências), e se pauta por uma ideia: o relacionamento amoroso como um investimento.

Conforme já dito, um dos maiores questionamentos do gênero Macho humano pós-guerra, pós-revolução-sexual e pós-viagra sempre foi: ao sair de casa em um sábado à noite, o que devo levar comigo? Um buquê de flores para conquistá-la ou uma garrafa de vodka para agradá-las?

Realmente, o ser humano de seus vinte e poucos, trinta e poucos anos de hoje sente-se duplamente pressionado: a viver a vida com prazer, digno de um galã do Berverly Hills 90.210 (ou, em outras palavras "Barrados no Baile"), mas ao mesmo tempo convocado a assumir as suas responsabilidades, a engalfinhar-se, a ter sucesso na procura de sua amada.

Por essa razão, a renda fixa do amor é uma opção conservadora para quem há tempos não sente o lado esquerdo do peito pulsando mais forte e também está um pouco cansado de investir no mercado da galhofa. O amor declarado e forçado, conforme algoritmo calculado pelos escribas deste blog, rende 0,6% ao mês, descontado o Imposto de Renda.

É por causa deste ínfimo rendimento que multidões e mais multidões aderem à renda fixa sem pensar duas vezes, pois, para elas, pelo menos dá para garantir o pãozinho de trigo na mesa. Segurança, eis a questão, mas com uma pitada de ilusão. Ilusão, pois tais investidores acreditam que 0,6% podem se tornar 6%, e 6% se tornar 60%, e assim sucessivamente..

Este humilde escriba não enxerga as coisas desta maneira. Tal como na economia, grandes realizações só ocorrem quando riscos são assumidos. De modo que 0,6% em rendimento amoroso não traz felicidade para ninguém.

Companhia para o cinema só é legal quando do lado da pessoa que se gosta, e falar no telefone, só se tiver interesse genuíno quanto às questões corriqueiras do outro, por mais insuportável e tediosas que sejam. Pelo contrário, esqueça. De tal forma que vemos, em progressão geométrica, o aumento de casais que não se suportam, gurias reclamando sobre a compleição física do seu suposto querido, rapazes furtando-se das bravas obrigações para com a sua menina.
O erro de todas estas pessoas, veja bem, é querer que um investimentozinho de nada dê imenso retorno imediato. Ora, NEM as propagandas do Itaú iriam tão longe.

Contudo, o tema é polêmico e a causa ganha cada vez mais adeptos, sendo que a primeira providência que tomariam seria dizer: o que este ignorante está dizendo, se sequer sabe o que é um algoritmo?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ah! A linguagem de auto-ajuda!

Não existe nada mais irritante do que esta mania que as pessoas estão tendo de incorporar frases de livros de auto-ajuda ao seu vocabulário. Como se fosse o antídoto perfeito pra cada problema da sua vida. Bateu o carro? Paulo Coelho na cabeça. Perdeu o horário e levou bronca do chefe? Tome uma dose de Augusto Cury. Está no pior dia da sua vida? Arnaldo Jabor é o ideal.

Um exemplo é a coitada de uma amiga, que não estava no mais feliz dos seus dias. Como resposta, a outra mandou: "Talvez o dia de hj não seja o melhor dia da sua vida, mas cada dia é especial e insubstituível, portanto, aproveite-o ao máximo!". Ora, porque Eu gostaria de aproveitar ao máximo a porcaria de um dia que dá tudo errado? Nesses dias, tudo que a gente quer é que ele acabe o mais rápido possível. Como diria o sábio ditado, nada com um dia após o outro (veja como até este humilde escriba também tem este vício dos ditados e frases de auto-ajuda..).

Sem contar a frase perfeita do pé na bunda: você acabou de levar um fora da sua namorada ou namorado de 5 anos, trocado (a) por aquela pessoa que você sempre detestou. Aí vem uma amiga bonitinha e manda por e-mail: "Fulano ou Fulana, não fique triste, lembre o que disse Fernando Pessoa: O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Só faltaria vc responder acrescentando: "também existem chifres inesquecíveis...".

Olha, nada contra excessos de otimismo e visão cor-de-rosa da vida, mas às vezes o que queremos, o que mais desejamos é mandar tudo pro raio que os parta. Ou atualizar toda a nossa lista de palavrões e abrir aquela cerveja que estava esquecida no fundo da nossa geladeira.

Transformar a nossa vida em uma novela em que frases semi-prontas são a solução para todos os problemas é castrar-nos do sagrado direito de se irritar e mandar tudo pra....

E bota sagrado nisso!

Da arte de levar a sua garota para dançar

Levar a sua garota para dançar é terapêutico. E não se engane: isto é tão fundamental para a paz entre as nações masculina e a feminina quanto lembrar cada data importante ou não tão importante, quanto à temida e necessária DR, enfim, tão fundamental quanto pegar 2 horas de fila no restaurante do agrado da sua querida no 12 de junho.

De fato, isto passa despercebido pelos bravos camaradas, pelos especialistas em relacionamento, e até pelas nossas queridas companheiras, o que às vezes pode causar sérios desentendimentos e - por que não? - o precoce fim de uma história que poderia causar inveja aos carentes roteiristas de filmes nacionais (geralmente emprestados das novelas da Rede Globo).

Querido amigo, encare uma realidade: as mulheres adoram dançar. E, mais importante que isso, adoram Sair para dançar. Elas não se contentam, por mais romântico que seja, em uma relação baseada apenas em ociosas tardes comendo pipoca e digerindo o box de 6 dvd's de episódios antigos do friends. Ou em um rápido e cartorial jantar em um restaurante qualquer, pra que você a deixe satisfeita o suficiente para encarar uma pernoitada naquele motel que parece a segunda casa da sogra.

Não, meu caro, não cometa este erro. As nossas mulheres precisam de um palanque para desfilar naquele vestido favorito, ou com os sapatos e sandálias compradas na véspera, maquiagens adquiridas em sites de compras coletivas, enfim, mostrar, para você, para outros e principalmente para as outras, toda a sensualidade reprimida nas obrigações e preocupações do dia-a-dia.

Veja bem: não apenas se satisfaça com esta vontade da sua amada, mas comemore com fogos de artifício e vinho na cabeceira da cama: mulher precisa sim ter este inescapável desejo de ser desejada, então seja você O cara que a quer e também é cobiçado por ela. De fato, tanto nós quanto elas precisamos de pequenas medidas terapêuticas que não faça a relação virar uma Abu Ghrabi tupiniquim. Assim, não adianta escondê-la do mundo como se fosse uma iraquiana atrás da burca. Isto só a fará ter mais e mais curiosidade de descobrirdo que acontece além do seu véu.

Faça, então meu amigo, um favor para ela e para si mesmo e leve-a para dançar. Encare como parte do pacote os olhares dos seus inimigos fidagais, o seu pedido para a sua querida exagerar menos na bebida, e a silenciosa competição dela com todas as outras garotas do recinto. Não pode ser tão mal assim, vai?

Recomendo, também, que você vista esta camisa e comece a sentir gosto de levar a sua pequena (ou grande, enfim) para dançar: não faça cara amarrada com aquela música que você odeia mas ela ama, compre uma revista do seu agrado antes de buscá-la para encarar da melhor forma possível a previsível hora de atraso da sua querida e, mais importante, não a deixe sozinha por momento algum, mesmo que para uma rápida ida ao banheiro.

Veja bem, bravo companheiro, esteja certo que a sua pequena reconhecerá o seu Hercúleo esforço e te recompensará em dobro: a pernoitada pode se transformar em um dia inteiro, as TPM's podem ser menos dramáticas, sem contar que você terá um importante argumento na hora da temida DR.

E ai de você se tentar bater o pé para este desejo delas: no fundo elas sabem que Homem que se recusa a levar elas pra dançar é tão inútil quanto aquele que não tem a sensibilidade de sentir ciúmes injustamente, uma vez que seja, ou aquele que não se dá nem o trabalho de protegê-las, com a mais valente das chineladas, da mais temível das baratas.

Meu caro, não caia nesta armadilha, que transformará a sua relação em uma tediosa rotina, fazendo a sua querida se sentir menos desejada que feriado de domingo. Ensaie seus melhores passos, ou banque o desengonçado da pista de dança que faz piada de si mesmo, o importante é ter boa vontade. Transforme esse verbo, levar, em uma arte que só fará você somar mais pontos com ela.

Assim, da próxima vez que sua pequena fale de algum novo lugar interessante para dançar, desempacote o seu melhor sorriso e se prontifique a levá-la no próximo fim de semana. E fim de papo.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Eu adoro..

Eu adoro ela. Eu adoro a maneira como ela anda, desanda, sorri. Eu adoro o remorso que ela sente depois de um fim de semana regado a luxúria gastronômica. Eu adoro a sua oscilação de humor, o amor e também a seriedade com que trata as coisas da vida. Eu adoro quando ela faz cara de brava, e também quando ela faz cara de feliz. Eu adoro o quanto ela fica engraçada quando disfarça o seu ciúme, mas também adoro quando ela explode, e diz meia dúzia de coisas que em poucos instantes se arrependerá.

Eu adoro o quanto ela me faz sentir o mais privilegiado dos bon vivants, mesmo sem o dinheiro, a fama, o terno de seda italiano. Eu adoro a sua generosidade, e também a sua sabedoria, por se dar conta de que os encantos do genêro feminino não vêm de marcas sofisticadas, estilistas sensíveis e cabeleleiros afeminados, mas sim de todos os seus anseios e contradições genuinamente expostos, com a graça e charme que só as mulheres possuem.

Eu adoro o quanto ela se esforça pra se manter em cima daquele salto, embora saiba que um par de havaianas a deixaria muito mais confortável. Eu adoro o seu pudor com as coisas mundanas, mas também o seu despudor quando se sente segura o suficiente pra se dar conta de que moralidade só faz parte do mundo externo, não do nosso. Adoro, também, quando ela se mexe um pouco pro lado na calada da noite só pra ficar mais confortável entre os meus braços. E, principalmente, quando me diz, quase que sem querer, que nada nessa vida pode ser tão ruim pra fazer a gente esquecer o quanto ela pode ser maravilhosa.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Off topic: Eu e Ela. Ela e Eu.

Eu e Ela. Ela e Eu.
Mais um domingo se vai.
Domingo é o dia mais contraditório da semana:
De um lado é o melhor, pois nele estamos livres dos nossos chefes, do trânsito, dos lugares proibidos para estacionar.

Por outro, estamos apenas a algumas horas da segunda-feira, para mais uma rodada de trabalho, compromissos e dores de cabeça.
Este domingo foi mais comum do que os outros.
Não houve roda de amigos, não houve jogo do São Paulo, muito menos aquela ida ao cinema para ver um filme que tivemos a impressão de já ter assistido várias e várias vezes.
Simplesmente houve Eu e Ela, Ela e Eu.

Diria que, em uma escala de ócio de 0 a 10, estaríamos perguntando se existe algum número maior do que 10. Ah se perguntaríamos! E haja lençóis, beijos, abraços, caretas, beliscões.....hmm, lógico que não se pode esquecer do telefone e daquela agenda telefônica com o número da pizzaria mais próxima de casa! Ou até passar antes no mercado pra comprar aquela garrafa de vinho barato e um tantinho de nada de chantilly, o que pode fazer toda a diferença!

E, cá pra nós, como é boa a sensação de simplesmente não se fazer nada com quem se gosta, e ao mesmo tempo pensar que não há nada mais importante nesse mundo, nada mais perfeito, nada mais indispensável.

Passamos dias, meses, anos, às vezes a nossa vida inteira pautada na busca de grandes fortunas, grandes planos, grandes realizações, sem se dar conta de que a felicidade pode estar aí, ao nosso lado, não sendo necessário muito dinheiro, nem falsas aparências, para ser completa.

No meu caso, caro (a) amigo (a), felicidade pode muito bem se resumir a Eu e Ela, Ela e Eu. =]

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Afinal, o que querem os homens?

PS: em tempos de mulheres cariocas, seriados de comportamento, e tudo no sentido de desvendar o "segredo" dos relacionamentos, em resposta a uma garota muito querida que conheço, escrevo aqui não querendo tomar por procuração quase 3 bilhões de companheiros! Apenas tomo a ousadia de falar por Richard's, Rod's, Ken's e tantos outros amigos que fazem valer a pena, independentemente do clima, ciclo menstrual ou conjuntura política!
















Mulher,
Nós, os Homens, queremos que você seja:
Insegura, Indecisa, Indireta,
Mas Jamais: Infiel.
Queremos que você relate pra nós todas as suas inseguranças, incertezas, injustiças,
Enfim, tudo no sentido de mostrar sua complicada natureza feminina,
Para que reclamemos, praguejemos, tenhamos ódio! Mas que em meia hora, nem mais nem menos que meia hora, já queiramos você de volta aos nossos braços, em um reencontro que nada tenha a dever aos filmes mais bregas da sessão da tarde!

Mulher,
Nós queremos que você vista a sua saia mais curta, mas que curta, como nunca na vida, nosso ciúme, nosso ódio dos caras que, nem no mais ridículo pesadelo, tenham você nos braços, mas que fazem de uma simples saída ao bar, à balada, ou à padaria para comprar pão, a mais nobre arena de duelos pela mulher amada.

Nós queremos, definitivamente, manhãs em que você acorde sem maquiagem, sem o menor alcance de glitter's, baton's, blush's e expressões que nem lembramos e nem fazemos questão de lembrar, só para que a gente tenha o indescritível privilégio de lembrar o quanto você é linda, o quanto a sua existência faz bem para a existência de nós, Homens.

Queremos, aliás, sem a menor sombra de dúvidas, o seu ciúme quando decidimos jogar futebol, videogame, tomar cerveja, enfim, da sua "intolerância" como um motor para o nosso relacionamento, pois sabemos que no fundo é pura insegurança sua para demarcar território ante esse imenso latifúndio que é a vida de mulheres, boemia, perdições...

E haja insegurança! Queremos que você, com a firmeza de quem Jamais erra, nos censure por datas não lembradas, atrasos pontuais e Até por insensibilidade ao achar ridícula aquela comédia romântica que já assistimos várias e várias vezes! Mas não se iluda: o Poder sempre esteve com você! E definitivamente não é necessária a eleição da mulher presidenta (ou presidente?) para provar que você realmente dirige os rumos da nossa vida!

Mulher,
Nós queremos que você seja o contrário de nós: para que corte as nossas raízes da intolerância, e faça nossos piores preconceitos parecerem os mais mesquinhos existentes. Admiramos muito o seu senso de perdão, tão caro e tão raro para nós, humildes possuidores do orgulho masculino. E também queremos TPM's, pedidos de colo, beijos, abraços, só pra gente ter certeza do quanto é maravilhoso estar e desfrutar da companhia de quem se gosta!

Na verdade, nós, Homens, não pedimos muito: se por um lado aparentamos seguir aquele padrão do macho reprodutor, que derruba e tem todas ao seu alcance, na verdade queremos o mesmo que você: compreensão e a melhor das satisfações depois de uma tarde à toa, sem fazer absolutamente nada e na melhor das companhias, como se não houvesse coisa mais importante neste mundo!

Afinal, o que queremos nós, os Homens? Você quer saber mesmo? Mulher, nós queremos que você seja, verdadeiramente e inequivocamente, Mulher =].

Um abraço de quem ama a sua natureza!

Jun

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Quando o inglês atrapalha todo o diálogo...

Ele viu ela on-line no msn e pensou: "agora vai!". Há muito tempo queria jogar um tantinho de conversa fora com ela e, quem sabe, ficar um pouco mais íntimo. Era uma linda noite de quinta-feira, sem contar a palavra mágica no nick dela, que poderia desencadear mil e uma suposições: "Seek".

Ele: Oi! Quanto tempo!
Ela: Oi! Sim sim, faz muito tempo que a gente não se fala! Tá tudo bem contigo?
Ele: Sim, melhor agora rsrsrsrs! Mas eaí, mate minha dúvida: O QUÊ?
Ela: Ahn? Como assim o que?
Ele: É, procurando o que?
Ela: Procurando?
Ele: Sim, "Seeking" o que....
Ela: Não entendi.
Ele: É que...
Ela: AH! Dãr! Seek é "doente". É uma palavra de origem inglesa!
Ele: OK. Entendi. Boa-noite!
Ela: Boa-noite!

Ele poderia aturar de tudo. Burrice, arrogância, intolerância.......agora, burrice com intolerância, em língua estrangeira ainda, aí sim era imperdoável!

sábado, 16 de outubro de 2010

Off Topic: Eleições, eleições, eleições...

Realmente temos uma grande vocação para o país da cordialidade. O que discute mais escalação de treinador da seleção de futebol do que política. O país do "Não tem problema. Com cabeça erguida e fé no futuro, tudo se resolve!".

Em ano de eleições presidenciais e Copa do Mundo isso fica explícito. Esqueçam-se Malufs, Rorizes, Sarneys e congêneres: o maior crime de lesa pátria da história foi a chuteirada que o Felipe Mello deu no holandês. Ou o destempero de Dunga em frente ao jornalista da Vênus platinada. Ou as ditas "mãos de alface" do goleiro Júlio César. Eleições, política, futuro do país? Pra que se somos um dos povos mais felizes do mundo, com todas as intempéries que o Brasil passa?

Até agora, não temos nos importado de verdade com discussões políticas, propostas, ideologia, projetos de país. Exercemos o nosso quinhão de politização quando criticamos o dólar na cueca e o voto no Tiririca. Realmente julgamos negativamente, apontamos, caçoamos, como se fossemos a pessoa mais politizada do mundo, aquele voto fanfarrão no palhaço. Mas frequentemente não lembramos sequer para quem votamos para Senador nas últimas eleições, em 2006...

E porque seria isso? Realmente somos um povo fadado à despolitização, ao voto de cabresto, à manipulação eterna? Seríamos, de fato, uma nação alegre mesmo sem direitos básicos, sem cidadania, sem renda? Porque aturarmos eternamente essa cordialidade descamisada, excludente, concentradora de renda?

As eleições presidenciais deste ano simplesmente mostraram isso: não há interesse na discussão de grandes temas, de projetos e propostas. Do lado governista, vimos uma propaganda calcada no excesso de marketing, mostrando o Presidente da República como o "grande timoneiro" tupiniquim, o pai do povo que entregaria-o à candidata recém apresentada. Do lado do principal candidato da oposição, vimos simplesmente um indivíduo que parecia postular ao Ministério da Saúde, haja vista sua falta de conteúdo e projetos coerentes para o Brasil.

Foi a luta do IBGE contra os Genéricos, tendo como coadjuvante bandeiras copiadas e coladas do site do Greenpeace, posteriormente substituída por um moralismo de araque, de fazer corar qualquer cidadão acostumado a um debate político de alto nível. Ora, pois!

Parece que a politização, de fato, não é bem-vinda, pois é de interesse de todos uma população domesticada, atônita, que só sai de casa com a cara pintada quando a família Marinho decide que o carinha sentado no trono não merece mais esse lugar. É realmente triste verificar que os anos de chumbo da ditadura militar, que a nossa geração não teve que suportar, foi o início de uma campanha maciça para transformar a política em uma coisa chata para os jovens, terreno apenas de velhos burocratas decrépitos e egocêntricos.

Transformaram grande parte da nossa geração em indivíduos que amam causas sociais, como o greenpeace ou ong's que ajudam combalidos, mas nos transformam em verdadeiros algozes quando entramos no terreno da política, porque simplesmente fomos ensinados a pensar que este campo é o da corrupção, da formalidade, dos grandes esquemas...

Sim, todos nós fizemos parte de um sistema educacional que não educa, não forma cidadãos críticos, e que tem como medida do sucesso a lista da FUVEST, ou da UNICAMP, refletindo desde que nascemos a lógica do mercado, do sucesso a qualquer custo.

Neste contexto, o segundo turno está aí, e o que importa agora é analisar e escolher qual modelo de Estado e de governo queremos para os próximos quatro anos. É tempo de romper a barreira da despolitização, para que saiam de pauta temas umbilicalmente ligados à hipocrisia e ao falso moralismo, para que haja uma escolha madura do projeto de país que mais se adeque aos anseios populares, pela constante busca na diminuição das desigualdades de renda e regionais, pelo apoio e atenção aos movimentos sociais e por um país mais justo e soberano.

Para isso, é preciso que as pessoas deste país, principalmente os jovens, descubram que a política é o dia-a-dia, é o assunto cotidiano, é o que queremos pro nosso bairro, pra nossa cidade, pro nosso país. É a indignação com a precariedade do ônibus que pegamos para a faculdade, é a nossa vontade de sair às ruas sem o medo de ser assaltado, é pela organização e racionalidade do poder público.

Tanto que é de se parabenizar a mobilização da população em torno da ficha limpa que, a despeito de toda a discussão acerca de sua constitucionalidade, foi um importante instrumento de moralização do nosso processo eleitoral.

Chega da alegria, da cordialidade descamisada e da falta de politização. É hora de discutirmos, mais e mais, nas ruas, nas escolas, nos centros comunitários, nos campos de futebol de terra batida, nos chá de dondocas, nas redes sociais, o que queremos e que tipo de candidato e partido queremos para alcançar nossos objetivos e vontades. E também de se indignar, sem perder o traço característico que nos faz um dos melhores povos do mundo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O Alfaiate de Saracusa

O período medieval tem várias facetas.

Quando se fala sobre a conhecida "Era das Trevas", muitos pensam nos reis, cavaleiros, no clero peraltinha ou na pobreza da maioria. Os mais "sabidos" ressaltam a lacuna intelectual, as pestes e as guerras enquanto os mais sonhadores recordam a magia dos caldeirões das bruxas e dos terríveis dragões. Lembram de Robin Hood, Merlin, Rei Arthur e William Wallace, dentre tantos outros heróis.


No entanto, poucos conhecem a história do alfaiate de Saracusa. Certamente, o verdadeiro merecedor do título de herói de todos aqueles séculos carentes de novelas da globo e livros da série Crepúsculo.

Com os dentes levemente esverdeados e cabelo ensebado, o alfaiate fazia diariamente roupas estonteantemente bonitas para os senhores mais ricos de Saracusa. Era inevitável não perceber o disparate da beleza e das cores das roupas que criava para as que vestia, tendo em vista os panos acinzentados e sujos que usava sobre o corpo.
Tinha os dedos rápidos e olhar profundamente concentrado em seu trabalho. Estava na maior parte de seus dias sozinho, acompanhado somente de seu radinho de pilha e seu queijo mineiro falante.

Como poucos sabem, a grande Minas Gerais influenciou a cultura de Saracusa por muitos anos. Dizem que o prato predileto do rei Dionísio era o Tutu de feijão com almôndegas à romanesca (mas essa já é ouuutra história).

Certamente devem estar pensando:

* O escriba está bêbado.
* Por que seria o Alfaiate um herói?
* William Wallace é o cara do Coração Valente?
* Que vontade de comer queijo minas.

Pois bem. Estou bêbado. Não mentirei para vocês.
William Wallace é o rapazote do Coração Valente. Filme lindo que nunca consegui ver inteiro.
Queijo minas é uma delícia, mas nem sempre é apropriado comê-lo. Que o digam as Ferpas do estábulo de meu tio Rubens (que Deus o tenha).

Ah! Por que seria o alfaiate um herói?

Pois respondo.

Porque:

* Afundado até o pescoço pela lama suja de excrementos de porcos, cavalos e homens;
* Acompanhado de ratazanas que mais pareciam capivaras dormindo ao seu lado roendo um pedacinho de sua orelha todas as noites;
* Trabalhando arduamente todos os dias, todas as horas, para ganhar míseras moedinhas que mal davam para comprar miojos e biscoitos da sorte dos chineses que lá viviam...

o Alfaiate foi capaz de se apaixonar. E saiu gritando em meio ao caos tal qual Arquimedes, com uma rato preso pelos dentes em sua orelha esquerda ensanguentada, que a paixão foi o sentimento mais bonito que tinha sentido.

Estava feliz e riu pro mundo.

O Paraíso estava dentro do peito do Alfaiate de Saracusa. E não há merda ou lugar caótico que tirasse isso dele.



Amém.

domingo, 3 de outubro de 2010

Trivial da aeromoça

Ah, o sorriso da aeromoça! Existe algo mais encantador e terapêutico do isto? Encantador porque, há milhares de pés de altura, em torno do medo de voar, turbulências e aviões sequestrados por fundamentalistas e vilões de hollywood, tudo o que desejamos ver é o seu sorriso acolhedor. Terapêutico porque a simpatia destas belas moças faz mais bem e acalma mais do que o suquinho empacotado servido à bordo. A lata de cerveja. Ou o lanche natural, com peito de peru e queijo branco, por favor.

Pense no nosso mundo, em que a integração dá lugar a intolerâncias raciais, religiosas, musicais e etílicas. É justamente há milhares de pés de altura, depois de parcelar em 10 vezes a sua passagem aérea, passar por tortuosas filas de check-in e raio-x de última geração, que o sujeito encontra seu lugar. Porque toda pessoa à bordo tem o direito fundamental e irrevogável ao sorriso da aeromoça. Ou seja, cada um dos seus passageiros tem o seu quinhão do charme e beleza destas mulheres, que foram treinadas para serem encantadoras em qualquer situação.

Sim, não há turbulência, avião sequestrado ou dor de cotovelo capazes de retirar o sorriso destas, que se tornam, durante 40 minutos, 2 horas, 8 horas, enfim, o tempo do vôo, o ideal de mulher que gostariam de ter em casa: bonita, charmosa, educada e de 2 em 2 horas vindo te oferecer alguma coisa, sorrindo.

Para os mais velhos, é como se houvesse uma volta ao passado, longe da libertação feminina, das mulheres que dizem "não!" furiosas e todo essa história de igualdade de direitos. Para os mais novos, igual este que vos escreve, é a descoberta de um novo mundo, é como se existissem belas mulheres possuidoras de um altruísmo com o pobre viajante comparável à Madre Teresa de Calcutá.

Mulheres, não se enganem: dentro de um vôo o chamado amor platônico rola solto. Porque todo rapaz de bem, há não ser que seja ruim da cabeça ou doente do pé, não resiste a um "você está confortável?" seguido de "gosta de cerveja? ou talvez um copo de vinho?". Ou uma combinação de "por favor, desligue o seu celular que vamos decolar" seguido por "está tudo bem com você?". E assim nos conquistam porque são especialistas em incorporar certas utopias masculinas, como um mundo feminino sem TPM ou mau-humor sem a menor explicação racional.

E não adianta chororô nem ter ciúme delas. Elas são imbatíveis justamente porque nem por decreto presidencial fazem a cara feia que você fará ao notar que o seu amado em 2 horas estará com dor no pescoço de tanto virar para acompanhar o desfile das aeromoças entre os corredores do avião.

Se executivos e empresários hoje adoram ler pergaminhos de monges tibetanos, livros de generais chineses ou de famosos samurais japoneses pra aplicar nos seus negócios, fico surpreso como ainda não surgiu um best-seller escrito por uma aeromoça americana qualquer ensinando, tintim por tintim, as moçoilas desamparadas a conquistar nós, pobres homens mortais e indefesos ante o seu charme e simpatia. "Faça o seu amado se sentir nas nuvens", talvez seria a chamada do sagrado livro, traduzido para um infame português.

Mas, namoradas e esposas de plantão, não há motivos para desespero: nós homens somos indefesos, mas não ingênuos. Sabemos que o sorriso da aeromoça não é eterno, e o sonho pode virar em pesadelo logo depois que nossas queridas comissárias de bordo colocarem os seus angelicais pés em terra firme, transformando o sorriso em cara de birra, a reclamar do passageiro do 22-D que pediu água 3 vezes, ou do galanteador do 12-J, que não parou de pedir o telefone dela.

Não, não queremos esta decepção, e o "tchau, boa viagem" da aeromoça no final do vôo é o fim de um amor que durou um pouco mais que a comida fria servida pra classe econômica, que obviamente era onde nós (eu, pelo menos) estávamos. Por óbvio que entre o "bem vindo" sorridente do embarque e o "tchau, boa viagem" mais sorridente ainda, a imaginação dos passageiros é livre para sonhar com casamentos, casas no campo, e até o labrador correndo serelepe pela casa. Aliás, qual será o próximo vôo?

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

O Zorra Total e a Revolução: reflexões de um sábado a noite.

"Todo mundo espera alguma coisa de um sábado a noite" - Lulu Santos (o poeta)

Quando afirmo, em uma conversa de pé de ouvido ou ponta de mesa-de-bar qualquer, que o programa televisivo mais importante dos solteiros e solteiras da nossa geração é o Zorra Total, a grande maioria pensa que eu estou de deboche ou que simplesmente estou tentando emplacar mais uma daquelas filosofias de boteco que fatalmente serão relegadas ao lixo da história da boemia.

Sim, é o que você leu. O Zorra Total, programa de humor por tantas vezes discriminado e injustiçado, é o símbolo da nossa classe. Não pelo seu conteúdo, que admito que é sofrível - apesar de às vezes gostar de uma ou outra piada - mas pelas paixões que desperta.

Paixões
. Nunca imaginou, não é mesmo? Você, pessoa que optou pela solteirice em uma época em que o engalfinhamento, o cuti-cuti, a união estável e a renda fixa é palavra de ordem, já conhece o enredo. Tudo começa com uma singela conferida no relógio: sábado a noite, 21:57. Você, embora não queira pensar no assunto, sabe que o capítulo da novela das 9 atingirá o climáx em poucos segundos e a programação da Rede Globo terá sequência. Um súbito calafrio percorre a sua medula espinhal, e o calafrio se transforma em um pensamento que nunca tinha te ocorrido antes. Finalmente você enxerga a luz: "Não tenho companhia para o sábado a noite".

Sim, solteiro e solteira de plantão, você passou o dia pendurado ao telefone, no msn, no orkut, facebook e twitter sondando os seus amigos acerca dum barzinho, ou uma balada nova que abriu na cidade, ou uma reunião no Outback, ou um corujão na lan-house, e o máximo que conseguiu obter é "verei com minha namorada o que faremos e te dou um toque".

Enquanto você saboreia cada piada sem-graça do Zorra Total, você pensa nos primeiros capítulos do enredo que levaram a este malfadado sábado a noite: após passada a temporada das festas de formaturas de faculdade, os seus outrora incansáveis companheiros de batalha foram tombando, um por um, e os que restaram, já não eram mais os mesmos. Você, por óbvio, ignorou todos estes sinais, pensando que era uma febre, uma onda, ou simplesmente a nova moda anunciada, e continuou levando a sua vidinha normalmente. Até que surgiu a vinheta de entrada do Zorra-Total.

Ah, o estalar de dedos! Quantos movimentos, revoluções, golpes, contra-golpes e por aí vai não tiveram início nestes pequenos momentos epifânicos que os cientistas rotulam como "Eureka", os franceses rotulam como "Uh-lá-lá", e toda a nossa geração de solteiros e solteiras desgarrados rotulam como "CARALHO! PORRA!". Sim, toda teoria e toda revolução tem o seu substrato ideológico e o nosso foi obtido no exato momento da vinheta de entrada do Zorra Total.

Neste momento, nosso cérebro começa a fervilhar de ideias panfletárias, subversivas, revolucionárias, formando, enfim, a nossa consciência de classe. Passado tal momento, a dúvida que começa a martelar na nossa cabeça é: lutar pelos nossos direitos e por uma vida mais digna, ou aderir à renda fixa do amor?

Veja bem, se os psicólogos, estatísticos, sociológos e produtores de programas de desocupados de plantão se debruçassem sobre o tema e pesquisassem os frequentadores de sites e agência de relacionamento, não me surpreenderia se descobrissem que o exato momento em que decidiram empreender esta busca inglória foi quando da entrada da vinheta do Zorra Total.

Assim, caro solteiro e solteira de plantão, nunca, jamais, por nenhum motivo subestime o poder libertador do Zorra Total. Respire fundo, conte até 10, lembre-se das mais doces e selvagens lembranças dos gloriosos anos de solteiro (a), encare a vinheta do programa. E façamos de cada televisor ligado no momento da entrada da vinheta do Zorra Total o ponto de partida para nossa revolução!

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A declaração de amor em tempos de Twitter

Declarar seu amor em 140 caracteres. Não parece tentador? Sim, o que era imaginável apenas para propaganda de carro de telemensagens e para tema de concurso do faustão pro dia dos namorados, agora é uma realidade. E graças ao Twitter, aquela tal de rede social em que você só pode postar mensagens resumidas a 140 caracteres.

Realmente aquela limitação linguística do Twitter foi uma benção para milhões e milhões de apaixonados e apaixonadas deste mundo que, a despeito de bater aquele bolão no jogo do amor e do sentimento, sempre ficaram muito abaixo das expectativas na hora de colocar no papel o que sentia pela pessoa amada.

Bingo! O Twitter, além de ser a salvação para essas pessoas, certamente imprime um padrão novo para todas as declarações de amor deste mundo: saem de cena aqueles textos gordurosos, longos, cheios de referências emocionais e se privilegia declarações de amor rápidas, curtas, mas extremamente eficientes.

Pense bem: ao invés de gastar dias elaborando uma cartinha, você pode tecer loas à pessoa amada em curtas frases, várias vezes ao longo do dia, substituindo os arrastados, ineficientes E frustrantes dias que você levaria pra elaborar a tal declaração de amor não limitada a 140 caracteres. Também, e principalmente, pode transformar a sua própria rotina em uma declaração de amor. Esta não é senão a função n.º 1 desta incrível ferramenta?

"Acabei de acordar. Estou ouvindo o canto dos pássaros que gorjeiam pela manhã. Te amo Fulana". Que tal? Ou melhor; "Estou no trânsito. Odeio o trânsito, mas você eu Amo, querida Ciclana". Sim, apaixonado ou apaixonada que sempre foi um desastre na hora de botar no papel o que você sente pela pessoa amada: são novos tempos! Abaixo ao exibicionismo gramatical! Viva à utilidade e ao senso prático das declarações de amor do século 21!

Pense que: além de resolver aquele velho problema das palavras que não lhe vem à mente na hora de escrever longos textos, você pode declarar seu amor à pessoa adorada sem se desgrudar do que você mais adora: Tuítar. E, se você é uma pessoa muito "seguida" (na linguagem do Twitter, por favor), pode unir o útil ao agradável: transformar o seu sentimento pela pessoinha que mora no lado esquerdo do seu peito em uma agradável fonte de renda. Uma sugestão de declaração: "Ah! Como é grande meu amor por você, Beltrana! Tão grande que estou indo AGORA comprar roupas na #RENNER pra você, na liquidação!".

Ora, em tempos de informação instantânea, blogs, micro-blogs, redes sociais e todo esse turbilhão de novidades, a declaração de amor HÁ de ser igual o Estado idealizado por José Serra que li em uma entrevista por aí: musculosa, mas enxuta, neoliberal, sem inchaço de palavras, sem contorcionismos desnecessários.

Chega de ter nossas pessoas queridas roubadas por pretendentes a Camões e Fernanda Young's! Que se ponha um fim à vantagem estratégica dos que sabem deixar uma garota eletrificada por causa de meia dúzia de parágrafos! E que a oportunidade chegue a todos os desamparados, desde os socialmente desamparados até os desamparados pela tal da inspiração poética!

Aliás, você já declarou hoje o seu amor pela pessoa amada no Twitter? Não? Então corra! E faça do sentimento à pessoa amada sua mais deliciosa rotina!

PS: o pobre autor deste tópico não utiliza e não sabe utilizar o Twitter, e por essa mesma razão acha que está sendo jogado para escanteio pelas cruéis donzelas antenadas nas últimas novidades das redes-sociais.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Cientificidade Eldorática

Com cheiro de sabão barato e ao som de Marvin Gaye, digamos que você acorde num colchão sujo de danone velho e resquicios de uma esfiha do habibs esverdeada.
Sua baba colou seu rosto no famigerado colchão e a ressaca martela seu cérebro enquanto o estômago e o boga preparam para cuspir o "quép cúler dois real" da noite anterior.

O mal estar físico precede a angústia. A angústia é subjugada pelo medo e dúvida.

"Que diabos eu fiz ont..."

O silêncio é quebrado pelo barulho da descarga. "Há mais alguém aqui".
Uma estranha moçoila, acompanhada da tristeza do universo, sai do banheiro. Um verdadeiro soco no estômago.

O que fazer?

Não temos respostas óbvias. Esta é a típica consequência dos investimentos de alto risco concentrados na camada galhofeira da sociedade pós-moderna nas noites da busca pelo Eldorado. A dúvida é: devemos investir na renda fixa?
O amor declarado e assumido nos traz mais de 0,6% (descontando imposto de renda) de benefícios mensais?
Ou devemos arriscar nossa honra e bem-estar liderando traquinagens noturnas que podem render mais de 100% de ganhos de maior liquidez?

A dicotomia de sair de casa com uma garrafa de vodka ou um buquê de flores aflige 107% dos seres humanos de 22 pares de cromossomos autossomicos e o bendito cromossomo final de par Y - X.


As respostas estão nos relatos épicos do passado, presente e futuro de companheiros da empreitada pelo Eldorado.

Tomaremos como base para todas nossas afirmações a metodologia cientificista empírica dos Deuses da Galhofa.

Uma mistura de ''Capricho'', ''Para Gostar de Ler", "Pequeno Príncipe" e "Red Tube".
Como diria Herman Hesse:
"O homem sem barba coça os bagos com maestria".
Habemus.

A constante busca do Eldorado perdido

A ideia deste humilde blog surgiu de inúmeras conversas travadas entre os diletos autores deste blog. Sim, conversas sobre questões que nos atingiam diretamente, afligiam, que já haviam mudado e em muito o curso da vida de vários amigos, inimigos, ídolos, conhecidos, desconhecidos, e fatalmente também acabariam influenciando nosso modo de viver.

A idade, 23, 24, 25 anos, anos, enfim, que se acaba a faculdade, e se sente o peso do diploma de graduação que significa o enterro daquela vida tal como conhecíamos, do 'amanhã  eu vejo', do 'quando eu tiver essa responsabilidade', do 'a gente se vê num dia desses', do 'não posso que tenho uma cervejada', do 'estou pedindo as contas pq quero passar 3 meses no nordeste viajando', do...enfim.

Eu, particularmente, me dei conta que as coisas estavam mudando em 2 ocasiões: 1- quando meus amigos firmaram compromissos, e, 1 ano depois, descobri que eles estavam falando Sério; e 2- quando Sandy casou, o que significava que, provavelmente, ela não era mais virgem.

A galhofa visionária é como o sentimento de que vc deveria ter saído com aquelas duas garotas ao mesmo tempo, é como o olhar de malícia da caixa de supermercado duma mercearia qualquer de santa catarina, é como o despenteado do seu cabelo depois de uma noite de vadiagem, é como o valor que você, depois de uma meio dúzia de cagibrina na cabeça, dá a certas moças que todos os seus conhecidos insistem em ignorar, enfim, é como ser sequestrado por uma moça com alguns quilinhos a mais na saída de uma noitada que vc juraria que teria um final muito infeliz.

A pergunta que se faz é: como tudo isso foi se perder? Melhor explicando: porque nós deixamos isso se perder? A opinião deste humilde escriba é que os companheiros (eu incluído) estamos todos perdidos. Como o tal do cego no tiroteio o homem do gênero macho não sabe pra onde vai: se fica no meio do saloon onde estão as moças simpáticas, a música e a bebida, ou se foge para a sua casa, daonde nunca mais sairá.

Trocando alhos com bugalhos: a gente não sabe muito bem se continua em busca do Eldorado ou se convence que o Eldorado fica aqui mesmo. Até pq a confusão é inevitável: de um lado, empresas, agências de marketing, hollywood, enfim, promovem o culto do "machão", do José Mayer encarnado, que derruba toda e qualquer moçoila que encontra pela frente.

Por outro flanco, uma pressão silenciosa, constante, onipresente, que vai desde o conselhos de pais, psicólogos e educadores, até daqueles amigos que já descubriram que o Eldorado fica aqui mesmo, para que possamos aderir à nossa nova situação. Às vezes o companheiro está tão perdido que resolve que o Eldorado está aqui, mas da mesma forma, sorrateiramente, continua às buscas de tudo aquilo que foi perdido.

Bem, como isso aqui não é divã nem livro de auto-ajuda, muito menos crônica do Pedro Bial, em que predomina a cultura da lição de moral necessária/vida, se aconchegue, acompanhe, comente, quem sabe a gente não ganha um dinheiro pra pinga com isso?