segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Quando o inglês atrapalha todo o diálogo...

Ele viu ela on-line no msn e pensou: "agora vai!". Há muito tempo queria jogar um tantinho de conversa fora com ela e, quem sabe, ficar um pouco mais íntimo. Era uma linda noite de quinta-feira, sem contar a palavra mágica no nick dela, que poderia desencadear mil e uma suposições: "Seek".

Ele: Oi! Quanto tempo!
Ela: Oi! Sim sim, faz muito tempo que a gente não se fala! Tá tudo bem contigo?
Ele: Sim, melhor agora rsrsrsrs! Mas eaí, mate minha dúvida: O QUÊ?
Ela: Ahn? Como assim o que?
Ele: É, procurando o que?
Ela: Procurando?
Ele: Sim, "Seeking" o que....
Ela: Não entendi.
Ele: É que...
Ela: AH! Dãr! Seek é "doente". É uma palavra de origem inglesa!
Ele: OK. Entendi. Boa-noite!
Ela: Boa-noite!

Ele poderia aturar de tudo. Burrice, arrogância, intolerância.......agora, burrice com intolerância, em língua estrangeira ainda, aí sim era imperdoável!

sábado, 16 de outubro de 2010

Off Topic: Eleições, eleições, eleições...

Realmente temos uma grande vocação para o país da cordialidade. O que discute mais escalação de treinador da seleção de futebol do que política. O país do "Não tem problema. Com cabeça erguida e fé no futuro, tudo se resolve!".

Em ano de eleições presidenciais e Copa do Mundo isso fica explícito. Esqueçam-se Malufs, Rorizes, Sarneys e congêneres: o maior crime de lesa pátria da história foi a chuteirada que o Felipe Mello deu no holandês. Ou o destempero de Dunga em frente ao jornalista da Vênus platinada. Ou as ditas "mãos de alface" do goleiro Júlio César. Eleições, política, futuro do país? Pra que se somos um dos povos mais felizes do mundo, com todas as intempéries que o Brasil passa?

Até agora, não temos nos importado de verdade com discussões políticas, propostas, ideologia, projetos de país. Exercemos o nosso quinhão de politização quando criticamos o dólar na cueca e o voto no Tiririca. Realmente julgamos negativamente, apontamos, caçoamos, como se fossemos a pessoa mais politizada do mundo, aquele voto fanfarrão no palhaço. Mas frequentemente não lembramos sequer para quem votamos para Senador nas últimas eleições, em 2006...

E porque seria isso? Realmente somos um povo fadado à despolitização, ao voto de cabresto, à manipulação eterna? Seríamos, de fato, uma nação alegre mesmo sem direitos básicos, sem cidadania, sem renda? Porque aturarmos eternamente essa cordialidade descamisada, excludente, concentradora de renda?

As eleições presidenciais deste ano simplesmente mostraram isso: não há interesse na discussão de grandes temas, de projetos e propostas. Do lado governista, vimos uma propaganda calcada no excesso de marketing, mostrando o Presidente da República como o "grande timoneiro" tupiniquim, o pai do povo que entregaria-o à candidata recém apresentada. Do lado do principal candidato da oposição, vimos simplesmente um indivíduo que parecia postular ao Ministério da Saúde, haja vista sua falta de conteúdo e projetos coerentes para o Brasil.

Foi a luta do IBGE contra os Genéricos, tendo como coadjuvante bandeiras copiadas e coladas do site do Greenpeace, posteriormente substituída por um moralismo de araque, de fazer corar qualquer cidadão acostumado a um debate político de alto nível. Ora, pois!

Parece que a politização, de fato, não é bem-vinda, pois é de interesse de todos uma população domesticada, atônita, que só sai de casa com a cara pintada quando a família Marinho decide que o carinha sentado no trono não merece mais esse lugar. É realmente triste verificar que os anos de chumbo da ditadura militar, que a nossa geração não teve que suportar, foi o início de uma campanha maciça para transformar a política em uma coisa chata para os jovens, terreno apenas de velhos burocratas decrépitos e egocêntricos.

Transformaram grande parte da nossa geração em indivíduos que amam causas sociais, como o greenpeace ou ong's que ajudam combalidos, mas nos transformam em verdadeiros algozes quando entramos no terreno da política, porque simplesmente fomos ensinados a pensar que este campo é o da corrupção, da formalidade, dos grandes esquemas...

Sim, todos nós fizemos parte de um sistema educacional que não educa, não forma cidadãos críticos, e que tem como medida do sucesso a lista da FUVEST, ou da UNICAMP, refletindo desde que nascemos a lógica do mercado, do sucesso a qualquer custo.

Neste contexto, o segundo turno está aí, e o que importa agora é analisar e escolher qual modelo de Estado e de governo queremos para os próximos quatro anos. É tempo de romper a barreira da despolitização, para que saiam de pauta temas umbilicalmente ligados à hipocrisia e ao falso moralismo, para que haja uma escolha madura do projeto de país que mais se adeque aos anseios populares, pela constante busca na diminuição das desigualdades de renda e regionais, pelo apoio e atenção aos movimentos sociais e por um país mais justo e soberano.

Para isso, é preciso que as pessoas deste país, principalmente os jovens, descubram que a política é o dia-a-dia, é o assunto cotidiano, é o que queremos pro nosso bairro, pra nossa cidade, pro nosso país. É a indignação com a precariedade do ônibus que pegamos para a faculdade, é a nossa vontade de sair às ruas sem o medo de ser assaltado, é pela organização e racionalidade do poder público.

Tanto que é de se parabenizar a mobilização da população em torno da ficha limpa que, a despeito de toda a discussão acerca de sua constitucionalidade, foi um importante instrumento de moralização do nosso processo eleitoral.

Chega da alegria, da cordialidade descamisada e da falta de politização. É hora de discutirmos, mais e mais, nas ruas, nas escolas, nos centros comunitários, nos campos de futebol de terra batida, nos chá de dondocas, nas redes sociais, o que queremos e que tipo de candidato e partido queremos para alcançar nossos objetivos e vontades. E também de se indignar, sem perder o traço característico que nos faz um dos melhores povos do mundo.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O Alfaiate de Saracusa

O período medieval tem várias facetas.

Quando se fala sobre a conhecida "Era das Trevas", muitos pensam nos reis, cavaleiros, no clero peraltinha ou na pobreza da maioria. Os mais "sabidos" ressaltam a lacuna intelectual, as pestes e as guerras enquanto os mais sonhadores recordam a magia dos caldeirões das bruxas e dos terríveis dragões. Lembram de Robin Hood, Merlin, Rei Arthur e William Wallace, dentre tantos outros heróis.


No entanto, poucos conhecem a história do alfaiate de Saracusa. Certamente, o verdadeiro merecedor do título de herói de todos aqueles séculos carentes de novelas da globo e livros da série Crepúsculo.

Com os dentes levemente esverdeados e cabelo ensebado, o alfaiate fazia diariamente roupas estonteantemente bonitas para os senhores mais ricos de Saracusa. Era inevitável não perceber o disparate da beleza e das cores das roupas que criava para as que vestia, tendo em vista os panos acinzentados e sujos que usava sobre o corpo.
Tinha os dedos rápidos e olhar profundamente concentrado em seu trabalho. Estava na maior parte de seus dias sozinho, acompanhado somente de seu radinho de pilha e seu queijo mineiro falante.

Como poucos sabem, a grande Minas Gerais influenciou a cultura de Saracusa por muitos anos. Dizem que o prato predileto do rei Dionísio era o Tutu de feijão com almôndegas à romanesca (mas essa já é ouuutra história).

Certamente devem estar pensando:

* O escriba está bêbado.
* Por que seria o Alfaiate um herói?
* William Wallace é o cara do Coração Valente?
* Que vontade de comer queijo minas.

Pois bem. Estou bêbado. Não mentirei para vocês.
William Wallace é o rapazote do Coração Valente. Filme lindo que nunca consegui ver inteiro.
Queijo minas é uma delícia, mas nem sempre é apropriado comê-lo. Que o digam as Ferpas do estábulo de meu tio Rubens (que Deus o tenha).

Ah! Por que seria o alfaiate um herói?

Pois respondo.

Porque:

* Afundado até o pescoço pela lama suja de excrementos de porcos, cavalos e homens;
* Acompanhado de ratazanas que mais pareciam capivaras dormindo ao seu lado roendo um pedacinho de sua orelha todas as noites;
* Trabalhando arduamente todos os dias, todas as horas, para ganhar míseras moedinhas que mal davam para comprar miojos e biscoitos da sorte dos chineses que lá viviam...

o Alfaiate foi capaz de se apaixonar. E saiu gritando em meio ao caos tal qual Arquimedes, com uma rato preso pelos dentes em sua orelha esquerda ensanguentada, que a paixão foi o sentimento mais bonito que tinha sentido.

Estava feliz e riu pro mundo.

O Paraíso estava dentro do peito do Alfaiate de Saracusa. E não há merda ou lugar caótico que tirasse isso dele.



Amém.

domingo, 3 de outubro de 2010

Trivial da aeromoça

Ah, o sorriso da aeromoça! Existe algo mais encantador e terapêutico do isto? Encantador porque, há milhares de pés de altura, em torno do medo de voar, turbulências e aviões sequestrados por fundamentalistas e vilões de hollywood, tudo o que desejamos ver é o seu sorriso acolhedor. Terapêutico porque a simpatia destas belas moças faz mais bem e acalma mais do que o suquinho empacotado servido à bordo. A lata de cerveja. Ou o lanche natural, com peito de peru e queijo branco, por favor.

Pense no nosso mundo, em que a integração dá lugar a intolerâncias raciais, religiosas, musicais e etílicas. É justamente há milhares de pés de altura, depois de parcelar em 10 vezes a sua passagem aérea, passar por tortuosas filas de check-in e raio-x de última geração, que o sujeito encontra seu lugar. Porque toda pessoa à bordo tem o direito fundamental e irrevogável ao sorriso da aeromoça. Ou seja, cada um dos seus passageiros tem o seu quinhão do charme e beleza destas mulheres, que foram treinadas para serem encantadoras em qualquer situação.

Sim, não há turbulência, avião sequestrado ou dor de cotovelo capazes de retirar o sorriso destas, que se tornam, durante 40 minutos, 2 horas, 8 horas, enfim, o tempo do vôo, o ideal de mulher que gostariam de ter em casa: bonita, charmosa, educada e de 2 em 2 horas vindo te oferecer alguma coisa, sorrindo.

Para os mais velhos, é como se houvesse uma volta ao passado, longe da libertação feminina, das mulheres que dizem "não!" furiosas e todo essa história de igualdade de direitos. Para os mais novos, igual este que vos escreve, é a descoberta de um novo mundo, é como se existissem belas mulheres possuidoras de um altruísmo com o pobre viajante comparável à Madre Teresa de Calcutá.

Mulheres, não se enganem: dentro de um vôo o chamado amor platônico rola solto. Porque todo rapaz de bem, há não ser que seja ruim da cabeça ou doente do pé, não resiste a um "você está confortável?" seguido de "gosta de cerveja? ou talvez um copo de vinho?". Ou uma combinação de "por favor, desligue o seu celular que vamos decolar" seguido por "está tudo bem com você?". E assim nos conquistam porque são especialistas em incorporar certas utopias masculinas, como um mundo feminino sem TPM ou mau-humor sem a menor explicação racional.

E não adianta chororô nem ter ciúme delas. Elas são imbatíveis justamente porque nem por decreto presidencial fazem a cara feia que você fará ao notar que o seu amado em 2 horas estará com dor no pescoço de tanto virar para acompanhar o desfile das aeromoças entre os corredores do avião.

Se executivos e empresários hoje adoram ler pergaminhos de monges tibetanos, livros de generais chineses ou de famosos samurais japoneses pra aplicar nos seus negócios, fico surpreso como ainda não surgiu um best-seller escrito por uma aeromoça americana qualquer ensinando, tintim por tintim, as moçoilas desamparadas a conquistar nós, pobres homens mortais e indefesos ante o seu charme e simpatia. "Faça o seu amado se sentir nas nuvens", talvez seria a chamada do sagrado livro, traduzido para um infame português.

Mas, namoradas e esposas de plantão, não há motivos para desespero: nós homens somos indefesos, mas não ingênuos. Sabemos que o sorriso da aeromoça não é eterno, e o sonho pode virar em pesadelo logo depois que nossas queridas comissárias de bordo colocarem os seus angelicais pés em terra firme, transformando o sorriso em cara de birra, a reclamar do passageiro do 22-D que pediu água 3 vezes, ou do galanteador do 12-J, que não parou de pedir o telefone dela.

Não, não queremos esta decepção, e o "tchau, boa viagem" da aeromoça no final do vôo é o fim de um amor que durou um pouco mais que a comida fria servida pra classe econômica, que obviamente era onde nós (eu, pelo menos) estávamos. Por óbvio que entre o "bem vindo" sorridente do embarque e o "tchau, boa viagem" mais sorridente ainda, a imaginação dos passageiros é livre para sonhar com casamentos, casas no campo, e até o labrador correndo serelepe pela casa. Aliás, qual será o próximo vôo?