Eu já idealizei demais a mãe dos meus filhos. Ou melhor, as mães dos meus filhos. Por que a cada momento da minha vida ela assumia feições e características diferentes.
-Aos 13, só bastava ela me querer.
-Aos 15, só bastava ela tolerar e até gostar da minha mão boba.
-Aos 18, que tivesse belos seios.
-Aos 20, que fosse simpática, bonita e tivesse bom gosto musical.
-E finalmente aos 25, que fosse simpática, linda, magra, belos seios, belo sorriso, bom humor, boa experiência sexual e sentimental, bom gosto musical, conhecimento básico sobre os clássicos da sessão da tarde, família bem-estruturada, boa formação universitária, posição política e ideológica esquerdista, que não cometesse erros crassos de gramática, que tivesse afeto por cachorros, bebês e fast food, relativamente ciumenta sem parecer doentia, especialista em massagens e cafunés, e a lista vai aumentando cada vez mais com o tempo...
Ocorre que a futura mãe dos meus filhos nunca esteve disponível para mim!
-Aos 13, eu era nerd e tímido demais para alguma garota me querer.
-Aos 15 e meio, o máximo que poderia conseguir com a mão boba na primeira vez que beijasse uma garota era um belo de um tapa na cara!
-Aos 18, existiam sim garotas com belos seios, mas de novo, tímido e nerd demais para abordá-las!
-Aos 20, bem, eu já tinha acesso a garotas bonitas, simpáticas e com bom gosto musical, mas aí estava preocupado demais em me manter bêbado em festas de faculdade!
-E aos 25, já tendo acesso a uma variedade até que grande de garotas interessantes, nunca me satisfazia pois a quantidade de requisitos aumentava em progressão geométrica!
Acontece que, logo depois de completar 26, eu me apaixonei. Ela tinha praticamente todos os requisitos e especificações idealizadas, e ainda acrescentou novos itens à lista, como saber de cor a letra de "esporrei na manivela" ou de ser - às vezes até irresponsavelmente - destemida e corajosa, dentre outras coisas.
Só que eu não fiquei satisfeito. Inventei novos requisitos de improviso, de última hora, que sempre foram e sempre serão irrelevantes pra mim. Me transformei em um turrão, sistemático e exigente, pronto para tentar convencer (eu e ela) que não valia a pena.
Ah, os requisitos! A gente passa tanto tempo calculando os riscos, com medo de se decepcionar, julgando e analisando as pessoas, e esquece de amá-las.
Aí, eu me dei conta de algo. A garota perfeita, ou a pessoa perfeita, não é a que preenche todas as características que você sempre quis. Mas a que te faz sentir de uma maneira que você nunca pensou que fosse possível.
Ela não precisa ser exatamente da maneira que você idealizou, porque na verdade ela é muito melhor do que isto, ela é de carne e osso; ela comete erros, mas também acerta em diversas coisas; ela tem um passado de vitórias e decepções, sorri nos bons momentos e chora quando sente vontade.
Defeitos todos têm. Qualidades idem. Por isto, se hoje tenho um conceito de garota perfeita, termino a minha lista assim:
-Aos 27, ela precisa ser sincera, bonita de um jeito que eu reconheça e espontânea. Ponto final. Nada de milhares e milhares de pré-requisitos!
......
Ok, ok, se ela tiver belos seios, eu não reclamarei! Mas sou bem flexível quanto a este requisito, rs!
