segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A garota perfeita.

Eu já idealizei demais a mãe dos meus filhos. Ou melhor, as mães dos meus filhos. Por que a cada momento da minha vida ela assumia feições e características diferentes.

-Aos 13, só bastava ela me querer.
-Aos 15, só bastava ela tolerar e até gostar da minha mão boba.
-Aos 18, que tivesse belos seios.
-Aos 20, que fosse simpática, bonita e tivesse bom gosto musical.

-E finalmente aos 25, que fosse simpática, linda, magra, belos seios, belo sorriso, bom humor, boa experiência sexual e sentimental, bom gosto musical, conhecimento básico sobre os clássicos da sessão da tarde, família bem-estruturada, boa formação universitária, posição política e ideológica esquerdista, que não cometesse erros crassos de gramática, que tivesse afeto por cachorros, bebês e fast food, relativamente ciumenta sem parecer doentia, especialista em massagens e cafunés, e a lista vai aumentando cada vez mais com o tempo...

Ocorre que a futura mãe dos meus filhos nunca esteve disponível para mim!

-Aos 13, eu era nerd e tímido demais para alguma garota me querer.
-Aos 15 e meio, o máximo que poderia conseguir com a mão boba na primeira vez que beijasse uma garota era um belo de um tapa na cara!
-Aos 18, existiam sim garotas com belos seios, mas de novo, tímido e nerd demais para abordá-las!
-Aos 20, bem, eu já tinha acesso a garotas bonitas, simpáticas e com bom gosto musical, mas aí estava preocupado demais em me manter bêbado em festas de faculdade!
-E aos 25, já tendo acesso a uma variedade até que grande de garotas interessantes, nunca me satisfazia pois a quantidade de requisitos aumentava em progressão geométrica!

Acontece que, logo depois de completar 26, eu me apaixonei. Ela tinha praticamente todos os requisitos e especificações idealizadas, e ainda acrescentou novos itens à lista, como saber de cor a letra de "esporrei na manivela" ou de ser - às vezes até irresponsavelmente - destemida e corajosa, dentre outras coisas.

Só que eu não fiquei satisfeito. Inventei novos requisitos de improviso, de última hora, que sempre foram e sempre serão irrelevantes pra mim. Me transformei em um turrão, sistemático e exigente, pronto para tentar convencer (eu e ela) que não valia a pena.

Ah, os requisitos! A gente passa tanto tempo calculando os riscos, com medo de se decepcionar, julgando e analisando as pessoas, e esquece de amá-las.

Aí, eu me dei conta de algo. A garota perfeita, ou a pessoa perfeita, não é a que preenche todas as características que você sempre quis. Mas a que te faz sentir de uma maneira que você nunca pensou que fosse possível.

Ela não precisa ser exatamente da maneira que você idealizou, porque na verdade ela é muito melhor do que isto, ela é de carne e osso; ela comete erros, mas também acerta em diversas coisas; ela tem um passado de vitórias e decepções, sorri nos bons momentos e chora quando sente vontade.

Defeitos todos têm. Qualidades idem. Por isto, se hoje tenho um conceito de garota perfeita, termino a minha lista assim:

-Aos 27, ela precisa ser sincera, bonita de um jeito que eu reconheça e espontânea. Ponto final. Nada de milhares e milhares de pré-requisitos!

......

Ok, ok, se ela tiver belos seios, eu não reclamarei! Mas sou bem flexível quanto a este requisito, rs!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A cronologia do "eu te amo"..

http://www.youtube.com/watch?v=s830CSutPoE&ob=av2e

Como hoje, 14 de fevereiro, é a data dos Valentines, uma data muito romântica e etc. e tal, penso que seria interessante abordar um assunto bem legal que vi no seriado How I Met Your Mother...

É sobre a cronologia do "Eu te amo", que é composta por várias fases usuais.

"Eu te amo" é uma expressão diferente de todas as outras que conhecemos. Coisas que as pessoas dizem todos os dias, como 'eu te adoro', ou 'eu te odeio', ou 'eu estou apaixonada(o) por você', ou 'você é o(a) melhor na cama que já tive', podem ser ditas instantaneamente, pois expressam sentimentos mundanos, na maior parte das vezes passageiros, que podem surgir e se dissipar num piscar de olhos! (ou na cama seguinte)

Agora "eu te amo" não. "Eu te amo" é insano, é de outro mundo, e traduz um sentimento que lentamente, dia após dia, vamos construindo dentro de nós.

-Em primeiro lugar, existe o momento em que você pensa que está pensando amar a pessoa, pois de repente, surpreendentemente, este sentimento ocorre em sua cabeça. É um momento estranho, gostoso, assustador, feliz, em que você vai se flagrar perguntando para si mesmo, e em voz baixa: "uou! peraí, é isso mesmo?". Você nunca tinha pensado nesse assunto antes, mas simplesmente parece...certo!

-Depois, existe o momento em que você pensa que sabe que ama a pessoa. Geralmente nesta fase há efeitos colaterais como passar o dia inteiro sorrindo ou fazendo as coisas mais idiotas do mundo, como se trancar bêbado no banheiro da casa do seu amigo no meio de um churrasco - para ligar para a pessoa no meio da madrugada - porque você não pode esperar até o dia seguinte.

-Aí, entramos naquela fase em que você sabe que sabe sobre o que sente, mas ainda não pode dizer nada. Você consegue falar sobre todo e qualquer assunto: sobre o seu dia-a-dia, sobre suas preferências (sexuais, culinárias e lado predileto pra dormir junto na cama), e até sobre as questões mais embaraçosas - como no dia em que foi expulso de uma festa de adolescentes não sendo um........adolescente -, mas guarda o seu segredo a sete chaves.

-Por fim, existe aquele momento em que você tem essa certeza absoluta ("sabe que sabe") e não pode mais guardar o seu segredo. Você tem que dizer a todo custo, porque a sua boca simplesmente não segue mais o seu instinto conservador, e você já não tem nenhum controle sobre o que você fala ou expressa.

Você se torna um(a) verdadeiro(a) irresponsável do amor, um ser brega e sorridente que vê graça até na visita ao dentista pra arrancar o dente do ciso, o que na verdade é muito bom!

Eu te amo. Eis a expressão que traduz o sentimento que - salvo alguns casos prematuros de "Eu te Amo", ou em casos de pessoas que têm compulsão/fetiche por estas palavras - na maior parte dos casos segue estes estágios normais!

E você, já passou ou está passando pelas quatro fases usuais? Se sim, e atualmente está na quarta fase, Feliz Valentines! Se não, relaxe, abra uma cerveja e comemore mais uma terça-feira absolutamente normal!
Um abraço!