segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Adoráveis momentos de uma mulher - 2015

Pela primeira vez, ela não mentira sobre com quantos caras ela já tinha dormido, nem para as amigas nem para o namorado.

Pela primeira vez, ela andou com preservativo na bolsa, sem medo de parecer "assanhada".

Pela primeira vez, não teve vergonha de usar roupas mais curtas, ou mais "ousadas", como dizem por aí.

Pela primeira vez, ela enxergou que abordagem de marmanjão truculento não é excesso de carinho, mas agressão, violência.

E assim ela dançou, dançou, dançou, até o dia amanhecer..

Pela primeira vez, ela reivindicou seu lugar ao sol, sem antes pensar que precisa antes "endurecer", ou ser menos feminina.

Pela primeira vez, ela disse para a filha que é okay trocar as aulas de futebol pelas classes de ballet, trocar a tiara pelo boné, se assim lhe aprouver.

E assim ela sorriu, sorriu, para quem quiser perceber..


E de primeira em primeira vez, ela foi ficando leve, cada vez mais leve, até flutuar.

Não é ela que mudou. Ela é a mesma pessoa de sempre. A mesma pessoa adorável, que devolve gentileza a quem dá gentileza.

O que mudou é sua atitude em relação às coisas da vida.

Por mais primeiras vezes como em 2015.

Relacionamentos 101

Você conhece uma pessoa em que, até hoje, você não entende o porque ela fez faculdade? Todos conhecem, na verdade.

Não estou falando daquele colega seu que fez direito com você, e se revelou um baita dum escritor; ou o que fez engenharia na sua sala, e hoje em dia tem uma loja de materiais de construção. Todos nós percorremos uma grande estrada, cheia de atalhos, saídas, e planos podem ser estabelecidos e reconfigurados a todo momento.

Estou falando daquele sujeito, ou sujeita, que já lá atrás não tinha a menor ideia do que estava fazendo na faculdade. Onde, só de você olhar para ele, sofria com sua insegurança, indefinição, falta de noção do que fazer da sua vida. E ele só era seu colega por que, de alguma forma, sentia que era uma obrigação possuir um diploma, de qualquer área que fosse.

Então, porque não existirem faculdades em que as pessoas aprendam coisas, digamos, mais práticas da vida? Como por exemplo um curso que ensine as pessoas a serem bons filhos, ou bons namorados, ou "o que é uma fila indiana", ou "saiba como identificar uma lixeira pública".

Se existisse uma faculdade do amor, qual seria a grade curricular?

Penso que no primeiro ano não poderia faltar "Introdução aos Relacionamentos", ou "Relacionamentos 101".

Para iniciantes, é comum que seja ensinado não o que fazer para um relacionamento dar certo, mas o que não fazer para o relacionamento não dar errado.

Pois para manter de pé um relacionamento de longo prazo, é preciso ser ou fazer muita coisa: ser paciente, compreensivo, esforçado, resiliente, dar assistência, comprar presentes, não esquecer datas importantes, e por aí vai. O injusto é que UM passo em falso pode fazer toda essa fortaleza chamada relacionamento, construída tijolo por tijolo, ser derrubada em instantes.

Colocando em termos mais visíveis: construir um relacionamento é igual erguer aquele castelo de areia na praia, com torre, cômodos, a princesa no topo, jardim, tudo nos detalhes mais mínimos, e o erro que pode botar tudo a perder é a voadora do moleque que derruba esse castelo em instantes.

Confesso ser meio anti-romântico comparar um relacionamento a um castelo de areia. "Há relacionamentos construídos em bases mais sólidas que areia", diriam os pombinhos mais apaixonados. Sim, eu sei, mas não há relacionamento que possa ser devastado em instantes, como uma tempestade de verão que não deixa pedra sobre pedra.

É por isso que, numa faculdade dos relacionamentos, o básico do básico do básico seria aprender o que fazer para NÃO destruir seu relacionamento.

Existem etiquetas básicas, como não dormir com o(a) melhor amigo(a) do seu/sua companheiro(a), enquanto estão juntos claro, ou pedir seu cartão emprestado e desfalcar tremendamente sua conta bancária. Mas, a não ser que você seja um traidor ou estelionatário compulsivo, as coisas costumam ter muito mais nuances. E você, claro, precisa notá-las.

Um amigo já perdeu a namorada porque, ao contrário do ex-sogro, pai coruja que a tratava como uma princesa, pediu um dia para ela buscar o lanche do Mcdonald's. Diria essa ex-namorada que esse pedido foi mais broxante do que fazer sexo de meia, ou morar com os pais aos 50 anos.

Já outro, nunca mais teve retornada as ligações depois de ter dito, para a garota, que mulher que sai com ele nunca paga a conta; ele era um tolhedor, um castrador, disse ela, antes de ir embora para nunca mais voltar.

Não cabe mais, em pleno 2015, falar coisas como "as mulheres não sabem o que querem". Pode até ser que fulana X ou sicrana Y realmente não saibam, assim como existem diversos fulanos e sicranos tão semelhantemente indecisos, mas muitas vezes as dicas sobre as intenções delas estão aí, espalhadas no ar para você pegar. Cabe ser gentil sem forçar a barra no cavalheirismo superficial, cabe respeitar a independência dela sem tratar isso como ela fosse uma heroína ou coisa do tipo.

Então, no "Introdução aos Relacionamentos", o que fazer para não destruir seu relacionamento? MUITA coisa. Mas diríamos que um curso sobre relacionamentos só poderia ficar no básico do básico (como "não roubarás" e "não trairás" já mencionados); a análise do que não fazer é casuística, ou seja, analisada caso a caso como as famosas aulas de Robin 101 no How I Met Your Mother.

Dica: só NÃO mude seu jeito para agradar alguém, ou para mantê-la/mantê-lo. Porque, nesse caso, a resposta para a maioria das perguntas se traduz num grande "Depende":

-Devo ou não Fumar? Depende;
-Devo beber socialmente, beber muito ou não beber? Depende;
-Devo agir de forma mais moderna, liberal, ou "à moda antiga"? Depende;
-Devo só fingir que gosto de Beatles, Ópera, Bossa Nova, ou abrir o jogo logo que eu achei legal umas música do CD Novo do Justin Bieber, além de requebrar dançando Calypso? Depende;
-Devo ficar comportado do lado da pessoa, ou dançar descabeladamente? Depende;
-Devo dizer que sou petista, tucano, corinthiano ou vascaíno? Outro grande depende.
-Devo dizer que sou vegano, que adoro churrasco argentino ou ambos? Deixa eu ver...

....depende! Não faça isso. Se você mudar seu jeito, sua vida vai se tornar um grande depende, até ao ponto que você se amoldou completamente aos gostos e pretensões da outra pessoa.

Complicado? Veja que só estamos na disciplina "Relacionamentos 101". Outra hora escrevo mais sobre o que não fazer em relacionamentos..