segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O amor e as suas frases de efeito.

O que seria a rotina do amar, do engalfinhamento, sem as suas famosas frases de efeito? Gostar tem dessas coisas. Amor é poesia, poesia é amor, e que atire a primeira pedra o machão de plantão que nunca se flagrou tentando bolar uma frase de efeito para que a moçoila objeto da sua adoração te adule como Ulysses no retorno de sua mítica odisséia.


Este ordinário colega confessa que sempre se ressentiu de não ter nascido com os dotes poético-literários de um Franscisco Buarque de Holanda ou um Angenor de Oliveira, mas, pensando de outra forma, qual o problema em tentar arriscar uma frase efeito ou outra, ou até um galanteio inesperado sacado no meio de uma conversa monótona, pelo bem do amor e do romance na terra?

E é aí que está a graça da coisa toda. É só o sujeito se amancebar, um tanto que seja, que pronto! Tenta descobrir, nas entranhas de sua alma, qualquer dote de Vinicius de Moraes, ou Manuel Bandeira, ou um Dinho Ouro-Preto (cruzes!) que seja!
"Droga! Por que não prestei mais atenção nas aulas de literatura? Por que não li o livro do Vinicius pra Fuvest?". Sim, meu caro. Também sou solidário na sua dor.

E lá se vai você de novo, bravo guerreiro, procurando em google's, sites sobre citações bonitinhas, traillers de filmes sobre comédias românticas, e etc. etc. tentando encontrar a fonte de inspiração para o agrado de sua querida. Porque amor sem sequer tentativa de uma frase de efeito solta no ar é igual primeiro encontro sem tentativa de amasso no sofá, é perda-total, a garota se ressente e fica prestes a te dar o cartão vermelho.

Mas não se preocupe: não precisamos nem daquela advertência pré-cartão amarelo para realizarmos nossas corajosas tentativas (tanto do sofá quanto da frase de efeito). E não importa! Desde um "que seja infinito enquanto dure" recitado entre um tilitantar e outro da taça de champagne mais cara da cidade até o "vc é a farofa da minha marmita" sacado de surpresa do alto da construção, vale quase tudo para agradar!

Portanto, não te abrucunhe! Não tenha receio em parecer ridículo com frases esdrúxulas e mal feitas: o amor tem dessas pieguices, dessas pequenas "ridiculariedades" que, quando você o sente, faz todo o sentido do mundo.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Trauma de DR?

Dizem que os homens fogem de uma boa discussão de relacionamento - a famosa "DR" - igual o Cascão da chuva, igual diabo da cruz, ou coisa que o valha. Assim, a famigerada "DR" seria exclusividade das nossas queridas companheiras, ávidas e desesperadas por demonstrações cada vez mais frequentes de afeto.

Este humilde escriba não pensa desta forma. O relacionamento amoroso em si é uma eterna "DR". Sim, meu caro e minha cara, todo namorado (a) que se preza tem que ter na sua manga um certo cacoete de Freud, ou Jung. É como se incorporássemos, de tempos em tempos, o psicólogo, o terapeuta da pessoa que estamos juntos - e, por que não? - de nós mesmos.

Toda a rotina compartilhada, a do engalfinhamento, tem o seu preço, e pequenos traumas do dia-a-dia precisam de doses terapêuticas para que a relação não se transforme em um circo, ou em um verdadeiro hospital psiquiátrico.

"Me prepare um jantar à luz de velas e cubra a nossa cama de rosas vermelhas, mas não se esqueça de colocar do lado do nosso ninho de amor o divã que eu comprei para nós", poderiam pedir, com absoluta lucidez, as nossas amadas.

E nós assentimos, não porque somos obrigados, mas porque, se não podemos entender 100% as queridas integrantes do chamado "sexo frágil", temos verdadeira obsessão em saber o que querem, desejam, esperam de nós.

E lá vamos nós, no escurinho da cama e "no silêncio de nós dois", como um dia cantou Vinicius de Moraes, para mais uma conversa de pé do ouvido, pra tornar o enlace cada vez mais terno, cada vez mais....humano.

Porque o verdadeiro bravo, o soldado desconhecido determinado em conquistar o território de afeto da querida cria das nossas costelas sabe que gostar é compartilhar, e por isso não foge de DR's, essa ingrata sigla que só causa medo e vergonha a certos integrantes do nosso gênero.