Já ouviu falar da renda fixa do amor? Eu também não. Na verdade, é um conceito que os infames escribas deste humilde Blog inventaram para traduzir uma ideia que trafega entre os universos paralelos dos relacionamentos, dos sentimentos obscuros do homo sapiens sapiens e da econometria financeira aplicada.
A renda fixa do amor, pode-se dizer com quase total segurança - a margem de erro é de 2%, para mais ou para menos - que é fruto de uma visão dos relacionamentos amorosos contaminada com conceitos econômicos, contábeis, e - porque não? - jurídicos (sempre deve-se levar em consideração o risco da separação e suas consequências), e se pauta por uma ideia: o relacionamento amoroso como um investimento.
Conforme já dito, um dos maiores questionamentos do gênero Macho humano pós-guerra, pós-revolução-sexual e pós-viagra sempre foi: ao sair de casa em um sábado à noite, o que devo levar comigo? Um buquê de flores para conquistá-la ou uma garrafa de vodka para agradá-las?
Realmente, o ser humano de seus vinte e poucos, trinta e poucos anos de hoje sente-se duplamente pressionado: a viver a vida com prazer, digno de um galã do Berverly Hills 90.210 (ou, em outras palavras "Barrados no Baile"), mas ao mesmo tempo convocado a assumir as suas responsabilidades, a engalfinhar-se, a ter sucesso na procura de sua amada.
Por essa razão, a renda fixa do amor é uma opção conservadora para quem há tempos não sente o lado esquerdo do peito pulsando mais forte e também está um pouco cansado de investir no mercado da galhofa. O amor declarado e forçado, conforme algoritmo calculado pelos escribas deste blog, rende 0,6% ao mês, descontado o Imposto de Renda.
É por causa deste ínfimo rendimento que multidões e mais multidões aderem à renda fixa sem pensar duas vezes, pois, para elas, pelo menos dá para garantir o pãozinho de trigo na mesa. Segurança, eis a questão, mas com uma pitada de ilusão. Ilusão, pois tais investidores acreditam que 0,6% podem se tornar 6%, e 6% se tornar 60%, e assim sucessivamente..
Este humilde escriba não enxerga as coisas desta maneira. Tal como na economia, grandes realizações só ocorrem quando riscos são assumidos. De modo que 0,6% em rendimento amoroso não traz felicidade para ninguém.
Companhia para o cinema só é legal quando do lado da pessoa que se gosta, e falar no telefone, só se tiver interesse genuíno quanto às questões corriqueiras do outro, por mais insuportável e tediosas que sejam. Pelo contrário, esqueça. De tal forma que vemos, em progressão geométrica, o aumento de casais que não se suportam, gurias reclamando sobre a compleição física do seu suposto querido, rapazes furtando-se das bravas obrigações para com a sua menina.
O erro de todas estas pessoas, veja bem, é querer que um investimentozinho de nada dê imenso retorno imediato. Ora, NEM as propagandas do Itaú iriam tão longe.
Contudo, o tema é polêmico e a causa ganha cada vez mais adeptos, sendo que a primeira providência que tomariam seria dizer: o que este ignorante está dizendo, se sequer sabe o que é um algoritmo?
Mto bom !!! Realmente, quem quer grandes lucros, deve correr grandes riscos... quem não semeia e zela, não colhe bons frutos...
ResponderExcluirFalow...
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