quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

São Paulo vista por um descendente de japonês.


Quando dizem que São Paulo é uma cidade de todas as cores, raças e etnias, a única coisa que posso dizer é que estão certos.

O destino me reservou morar na megalópole. Minha infância e adolescência na interiorana guaratinguetá sempre me fez o único "olhos puxados" de todos os lugares que frequentava. Não que fosse um recluso, mas eu simplesmente não me sentia conectado com as minhas raízes.

Quando me chamavam de japonês, eu pensava "O QUÊ? Será que eu pareço japonês mesmo? Sou tão diferente assim?". Coisas da adolescência...

Com São Paulo, eu finalmente ganhei a minha identidade: Arthur Jun, brasileiro, descendente de japoneses, cidadão do mundo. Sim, foi São Paulo que moldou o meu modo de ser, minha visão das coisas. Hoje, posso estar em qualquer lugar do globo terrestre que eu sei que tenho o meu lugar, o meu porto seguro.

Desde o estranhamento em não mais ser o único "japonês" da turma, até o espanto de conhecer as baladas "japas" e os bairros repletos de orientais, lentamente começou a crescer em mim o orgulho de pertencer a esta comunidade, que tanto ajudou a construir São Paulo como também a construir os seus próprios caminhos.

Abençoados sejam os Toris e as barraquinhas de comida japonesa da Liberdade. Muita saúde para os nossos queridos ojissans e batchans. "Ganbatte!!" para os que dirigem e prestigiam os kaikans e os seinenkais que mantém viva a tradição da colônia japonesa em nosso país. Um abraço para os amigos de cor e de fé que fiz na cidade grande, e também veneradas sejam as nossas garotas, cujo charme e beleza fizeram meu coração bater mais forte tantas e tantas vezes...

Existem muitas pessoas que também se encontraram com São Paulo e construíram histórias de riqueza, amizades sólidas, grandes amores e até se perderam nos encantos e armadilhas da megalópole.

Para mim, o legado mais importante que São Paulo deixou é uma identidade, que dinheiro nenhum pode comprar. Eu deixei São Paulo e rumei de volta para o interior, meu querido interior, mas certamente São Paulo nunca me deixará.

Então, neste 25 de janeiro, aniversário da cidade de São Paulo, humildes saudações do "japa", que enfim encontrou o seu lugar, e por sua causa! Obrigado São Paulo!

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