segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A constante busca do Eldorado perdido

A ideia deste humilde blog surgiu de inúmeras conversas travadas entre os diletos autores deste blog. Sim, conversas sobre questões que nos atingiam diretamente, afligiam, que já haviam mudado e em muito o curso da vida de vários amigos, inimigos, ídolos, conhecidos, desconhecidos, e fatalmente também acabariam influenciando nosso modo de viver.

A idade, 23, 24, 25 anos, anos, enfim, que se acaba a faculdade, e se sente o peso do diploma de graduação que significa o enterro daquela vida tal como conhecíamos, do 'amanhã  eu vejo', do 'quando eu tiver essa responsabilidade', do 'a gente se vê num dia desses', do 'não posso que tenho uma cervejada', do 'estou pedindo as contas pq quero passar 3 meses no nordeste viajando', do...enfim.

Eu, particularmente, me dei conta que as coisas estavam mudando em 2 ocasiões: 1- quando meus amigos firmaram compromissos, e, 1 ano depois, descobri que eles estavam falando Sério; e 2- quando Sandy casou, o que significava que, provavelmente, ela não era mais virgem.

A galhofa visionária é como o sentimento de que vc deveria ter saído com aquelas duas garotas ao mesmo tempo, é como o olhar de malícia da caixa de supermercado duma mercearia qualquer de santa catarina, é como o despenteado do seu cabelo depois de uma noite de vadiagem, é como o valor que você, depois de uma meio dúzia de cagibrina na cabeça, dá a certas moças que todos os seus conhecidos insistem em ignorar, enfim, é como ser sequestrado por uma moça com alguns quilinhos a mais na saída de uma noitada que vc juraria que teria um final muito infeliz.

A pergunta que se faz é: como tudo isso foi se perder? Melhor explicando: porque nós deixamos isso se perder? A opinião deste humilde escriba é que os companheiros (eu incluído) estamos todos perdidos. Como o tal do cego no tiroteio o homem do gênero macho não sabe pra onde vai: se fica no meio do saloon onde estão as moças simpáticas, a música e a bebida, ou se foge para a sua casa, daonde nunca mais sairá.

Trocando alhos com bugalhos: a gente não sabe muito bem se continua em busca do Eldorado ou se convence que o Eldorado fica aqui mesmo. Até pq a confusão é inevitável: de um lado, empresas, agências de marketing, hollywood, enfim, promovem o culto do "machão", do José Mayer encarnado, que derruba toda e qualquer moçoila que encontra pela frente.

Por outro flanco, uma pressão silenciosa, constante, onipresente, que vai desde o conselhos de pais, psicólogos e educadores, até daqueles amigos que já descubriram que o Eldorado fica aqui mesmo, para que possamos aderir à nossa nova situação. Às vezes o companheiro está tão perdido que resolve que o Eldorado está aqui, mas da mesma forma, sorrateiramente, continua às buscas de tudo aquilo que foi perdido.

Bem, como isso aqui não é divã nem livro de auto-ajuda, muito menos crônica do Pedro Bial, em que predomina a cultura da lição de moral necessária/vida, se aconchegue, acompanhe, comente, quem sabe a gente não ganha um dinheiro pra pinga com isso?

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